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Visconde de Sabugosa e o seu criador: Monteiro Lobato

No Brasil, o maior escritor de histórias infantis de todos os tempos foi o José Renato Monteiro Lobato, que nasceu em 1882, em Taubaté. Quando tinha 11 anos, adotou o nome do próprio avô – como uma homenagem – e passou a se apresentar como José Bento Monteiro Lobato.

Menino ainda, já mostrava talento, escrevendo crônicas, poemas, contos e ainda colaborava com o jornalzinho da escola. Aos 18 anos, a família do rapaz resolveu que ele teria que cursar Direito.

 

 

Ele obedeceu e se formou como advogado, mas nunca deixou de ter prazer escrevendo.

De 1917 para a frente, ficou famoso escrevendo em grandes jornais. E começou a criar personagens famosos, sempre inspirado nos bate-papos do povão que vivia lá na roça, onde ele tinha crescido. Falava, por exemplo, do jeca-tatu, inspirado naqueles caipiras que plantavam os canteiros e brigavam com o dono do sítio, lá no Vale do Paraíba.

Foi legal porque ele mostrou que o caipira, que nunca foi à escola e nem sabia escrever, era um sujeito muito importante para todos os que viviam na cidade. Porque ele sabia, como ninguém, lidar com a terra e mandar para a mesa da gente as frutas, os cereais, as verduras, o leite e a carne.

Mas a maior obra do Monteiro Lobato foi, sem dúvida, o Sítio do Pica-Pau Amarelo, escrito lá em 1939, quando nenhum dos meninos e meninas de hoje tinha nascido. Mas o que é bom não morre. E mesmo quem tem só nove ou dez anos, já ouviu falar da boneca de pano Emília (que falava que nem gente), do Pedrinho, da Narizinho, da vovó Dona Benta, da cozinheira Tia Anastácia, do sabe-tudo Visconde de Sabugosa e da malvada Cuca.

Nos livros do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Monteiro Lobato trata de maneira muito divertida assuntos pesados, que antes só faziam parte das conversas adultas, como a Matemática e a Mitologia Grega. O escritor acabou fazendo com que os brasileirinhos tomassem gosto, desde cedo, pelo país em que moravam. Ensinava o valor deste Brasil, uma terra habitada por gente de todas as raças.

Monteiro Lobato, lá no seu tempo, já defendia que os caipiras tinham direito a ter um pedaço de chão para plantar. E discutia bastante com o pessoal que ia buscar inspiração em outros países para escrever, pintar e trabalhar. Ele falava que a gente tinha tudo aqui, neste pedaço do planeta, para criar cidades e sítios habitados por gente séria e trabalhadora.

Lobato faleceu em 1948, na cidade de São Paulo. Mas é como se ainda estivesse vivo. O maior ensinamento é que as pessoas nascem, crescem, envelhecem e morrem. Mas o que elas pensam, fica vivo e passa de pai para filho, uma geração após a outra.

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